Alcolumbre enviou ofício para ele mesmo liberando emenda para seu suplente

Em manobra suspeita, o presidente do Senado Davi Alcolumbre oficia ele mesmo pedindo liberação de emendas de R$ 30 milhões, acima do teto, com a maior parte direcionada para a obra em que a construtora de seu suplente é responsável.

Brasília alcança assim o estágio do gênero “autoatendimento institucional”. Segundo fontes dos corredores do Congresso, o documento percorreu um longo e emocionante trajeto: saiu da mesa de Alcolumbre, atravessou a sala, deu uma respirada no ar-condicionado e chegou triunfalmente à mesa de Alcolumbre.

Assessores garantem que tudo foi feito “dentro do rito”. E realmente foi: alguém escreveu, alguém assinou, alguém recebeu. O fato de esse “alguém” ser a mesma pessoa é apenas um detalhe técnico, quase filosófico. Especialistas em direito administrativo já discutem se o caso configura conflito de interesses ou apenas “otimização logística”.

O suplente beneficiado comemorou a agilidade do processo. “Nunca vi um pedido ser analisado tão rápido. Parecia até que quem autorizou já sabia o que vinha no documento”, declarou.

Nos bastidores, parlamentares apelidaram o episódio de “Sedex de gabinete”. Outros defendem modernização: “Pra quê protocolo, carimbo e tramitação se o remetente já conhece o destinatário?”

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo